É descompassado o sonho como os campos da madrugada Erosões rampas abaixo e os helicópteros incólumes nos céus Quero viver no Pacífico Porque os peixes permitem E organismos me encantam Ou é pior desalento querer um meio: perder o centro
Mereço um recanto no Mediterrâneo ou no Atlântico Eu que sou brasileiríssima fantástica, enfatizo a mágica e aprendi a inusitar nas cordilheiras ou no Índico no Cabo da Boa Esperança qualquer um, é meu lugar.
Charlie Chaplin(Ator de cinema britânico) 16-4-1889, Londres 25-12-1977, Corsier-sur-Vevey, Suíça
O grande mestre do humor, da sátira e da paródia era filho de artistas de palco, Hannah e Charles Chaplin. Como ator principal, autor e, ocasionalmente, compositor da trilha sonora, Charlie Chaplin, cujo nome real era Charles Spencer Chaplin, transformou em arte a chamada comédia-pastelão. Por meio da pantomima e da psicologia transformava os argumentos dos seus filmes em tragicomédias sobre personagens perseguidos que, com humor, paciência e um coração de ouro, se impõem aos caprichos do destino e à deslealdade da sociedade. Chaplin representava o célebre protagonista dos seus primeiros trabalhos, Carlitos, o vagabundo (este é também o título de um filme de 1915) identificado pelo bigode, um chapéu-coco e uma bengala de madeira. Trata-se de um personagem puro e sentimental que involuntariamente se vê envolvido nas mais grotescas aventuras.
Era só o que faltava mesmo. Considerar a obra do Monteiro Lobato racista. O Sítio do Picapau Amarelo entrou na pauta de censura do Ministério da Educação. Sairá do rol dos paradidáticos. Ora viva, a rapaziada do politicamente correto continua procurando chifre em cabeça de jumento. E está encontrando. Será falta do que fazer? Ou falta de discernimento de que não se pode analisar o passado com as lentes do presente e do futuro? Ademais, a arte não é para ser objeto de superação. Pede-se que a obra do Monteiro Lobato seja revisada, como quem se revisa uma teoria científica. A antropologia brasileira foi revisada e revisitada, ultrapassando os limites racistas do Nina Rodrigues. Aí entrou Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Roberto Damata, Clóvis Moura, Alcebiades Costa Filho (Floriano-PI) e tantos outros bons cientistas sociais brasileiros. Mas, fale-se bem ou mal, a obra do Nina Rodrigues não desapareceu das bibliotecas. Que eu saiba continua sendo lida e nem por isso a comunidade negra brasileira deixou de avançar em conquistas sociais, políticas e econômicas. Sim, mas quem é mesmo que vai revisar a obra de Monteiro Lobato? Quem vai tirar as frases ditas pela boneca Emília em diálogo com a Princesa, que por sua vez desistiu de tomar café para não se amulatar. O Monteiro Lobato já morreu, a obra não. Não se faz a história de um povo apagando o seu passado. O Rui Barbosa mandou queimar todos os documentos sobre a escravidão brasileira. Hoje, esta documentação extraviada faz falta para os estudiosos, de dentro e de fora do país. Principalmente às universidades africanas. Joaquim Nabuco sempre bem falou que a escravidão negra no Brasil criara feridas de longeva cicatrização, quiçá que cicatrizem. Mas o apagamento da memória pelo Rui Barbosa ajudou a cicatrizá-las? Acho que não. Ao invés desta patrulha antropológica de mau gosto e falta de erudição, devíamos era difundir a cultura da discussão de que o Brasil não tem minoria negra. O professor Francis Bukari (UFPI) disse uma coisa certa: Se a população brasileira é composta de mais de 60% de afro-descendentes (outro termo politicamente correto) então como é que negro é minoria? É melhor procurar racismos, e discriminações outras entre os vivos e não entre os mortos. Querem criticar a pessoa do Monteiro Lobato que viveu há muitas gerações, critiquem. Mas querer modificar a sua obra, aí já é demais meu Deus. Sou negro e sei que existem outras formas de combater o racismo e o pouco valor que se dá a quem ajudou a construir este país. Saímos (em êxodo) do antigo Reino de Oyó para sermos grandes criadores de gado. Fomos grandes fundidores de metais nas Minas Gerais. A docilidade africana foi um mito, sempre tivemos a capacidade da revolta. Lembremo-nos da Revolta dos Malês, em 1835/36 na Bahia. Não somos coitados, nem precisamos ser tutelados. Precisamos de cidadania, cidadania, cidadania. Basta de divisões bestas.